cachola

de um feriado alegremente modorrento

nesse bendito ano 2.026 depois de cristo, enfim, depois do que pareceram décadas - ou pode ter sido o singelo e arrastadíssimo ano de 2.025 -, fomos agraciados com um sem mais de feriados prolongados na nossa nação brasiliana.

a decisão, a princípio, foi feita por nós: cada um deles seria um novo julho escolar embutido em quatro ou cinco dias. voltaríamos ao trabalho ainda mais cansados do que se tivéssemos uma sexta de bar, um sábado de amigos e um domingo de recuperação; se possível fosse, lutaríamos contra as horas, os minutos, os segundos e as suas frações até e encaixaríamos cada instante de felicidade entre os nossos inspirares e expirares.

o amor e eu levamos isso a serio. viajamos, fomos em festas, vimos mares de amigos, aparecemos em museus como nunca antes, andamos e andamos e andamos, vimos filmes e series e cozinhamos e conhecemos restaurantes e conversamos e rimos e, quando não, brigamos um pouco também porque não há carinho saudável sem um pouco de atrito.

e como se pouco fosse, caiu na quinta-feira da semana passada o feriado de corpus christi. e logo na quarta-feira, fomos semiarrastados para uma festinha no centro de são paulo, uma a que não ia desde antes da pandemia. parecia um início timidamente celebratório de mais um desses blocos de quatro dias desse ano que são inundados pela bagunça feliz de se estar vivo sem as amarras do ofício.

na quinta-feira, então, que foi inaugurada por uma estadia na vila buarque que só se encerrou as quatro da madrugada? nós... nada fizemos! me levantei, pouco usual, perto da hora do almoço, tirei uns nacos de carne pré-temperados de seus palitos e os fritei na própria gordura ali na frigideira, e tal qual como se espera na ressaca comemos-nos com as mãos mesmo. depois, abri uma cervejinha que tinha guardado com carinho pra uma ocasião de relaxamento, e meu amor voltou ao sono profundo.

e fim. nossa quinta acabou aí.

sexta e sábado tiveram seus eventos, mas boa parte das horas foi gasta aproveitada na cama, no sofá, na tv, no descanso.

e domingo, ah, esse domingo quase não nos levantamos. pedimos no almoço uma comida de um restaurante gostoso, como se passar o dia acobertados não fosse mimo o suficiente. voltamos para os travesseiros logo depois, e foi meu turno de 8 horas de sono entardecido. de noite, acordamos só para fazer pular alguns grãos de milho na frigideira (que decerto se desgastou esse final de semana) e assistir o novo capítulo de nosso anime querido. e, depois? depois fomos novamente para a cama, aninhados. uma paz enorme.

esse ano tivemos vários finais de semana agitados até demais. corridos, cansados. finais de semana modorrentamente alegres, desses em que a bagunça acaba virando de cabeça para baixo a cachola.

esse feriado, não: esseferiado foi alegremente modorrento.