cachola

personalidade cronicamente z

anos atrás, nas trincheiras pós pandemia (mais de meia década, vejam só que coisa - o tempo morreu de covid-19), meus melhores amigos e eu (gosto muito dessa construção típica do anglicano em que o "eu" é jogado para o final da frase, desimportante) aproveitamos o ano novo distorcendo enquetes do também falecido buzzfeed, então no leito de morte

a pergunta era simples: quem é você em friends? e em how i met your mother? e em (insira aqui a sua sitcom preferida, desde que mainstream pra que todos tenham visto e possam argumentar)? a ideia era que apontássemos os dedos um para os outros e batessemos os pés: fulano é o ted porque finge ser um romântico mas tem medo de compromisso!

e a minha então melhor amiga me disse que eu era estrangeiro ao jogo, porque eu era inescapavelmente geração z, não de idade, mas de conduta

à epoca, a geração z tinha para nós esse campo magnético: era um assunto desses atrativos, mas ao mesmo tempo, tentávamos fugir dessa categorização - ser /millenial/ era mais /cool/, ou, ao menos, ser geração z era ser uma criança viciada em tiktok, e nós, que éramos viciados em twitter e instagram (hoje tiktok também funciona para os mais adultos), éramos mais maduros, não vê?

bom, hoje concordo em gênero, número, grau, e flexão com aquela propositura. e acho que nada marca mais a caixinha em que me puseram do que o meu atual estado frente à tecnologia: a de um viciado cansado, que abre o celular no desespero do tédio com o mesmo finalismo de um adicto que já nem finge que aquela vai ser a última garrafa. personalidade cronicamente z.

não teremos conclusão para esse texto. WIP - quem sabe quando o buraco não mais me servir, volto para ensinar o caminho de escape. mas temo que seja individual e que não involva a internet. a ver.

vou colocar outro vídeo no youtube.